• Categoria: TDAH
  • Escrito por Profa. Dra. Maria Valeriana Moura-Ribeiro
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O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade na Literatura Brasileira

Memória de um sargento de milicia, 1840

SargtoMiliciasO médico Manoel Antonio de Almeida, nascido no Rio de Janeiro em novembro de 1831, publicou aos 21 anos de idade, uma série de artigos para o Jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro. Esses artigos configuraram o livro conhecido “Memórias de Um Sargento de Milícia” em que, o autor apresenta cenas descritivas de uma criança que, no transcorrer do desenvolvimento, são compatíveis com o diagnóstico de TDAH.

O protagonista é Leonardo, filho de Leonardo Pataca e Maria, ambos portugueses. “No 7º mês de gestação, nasceu o menino Leonardo... corado e esperneador, chorão, que mamava continuamente ao peito”. Na ocasião do batizado, Leonardo “se mantinha... inquieto no colo da mãe”. A festa acabou tarde e, a madrinha, ao se despedir abençoou o afilhado... “colocando no centeiro um ramo de arruda”, denotando preocupação com o comportamento.

Durante o desenvolvimento, o menino não desmentiu aquilo que anunciara... “atormentava a vizinhança sempre com choro, era colérico”. “Logo que pôde andar e falar tornou-se um flagelo; quebrava e rasgava tudo o que lhe vinha às mãos, era traquina e guloso; teimoso”. Assim que chegou aos 7 anos não respeitava regras educacionais... o “menino com comportamento endiabrado mereceu do pai agressões físicas, mas...mantinha travessuras as mais malignas, às vezes, eram verdadeiras ações de menino malcriado; não parava em casa coisa alguma, inteira, por muito tempo”. Nos estudos começou a aprender o ABC, porém... “empacou no F” e nada fazia passar adiante. Tempos depois, “empacou, de novo, no P”. Uma outra coisa importante diz respeito à religião... “não era capaz de fazer o pelo sinal da esquerda para a direita, e o fazia da direita para a esquerda. Em relação ao padre-nosso, em vez de dizer venha a nós o vosso reino... dizia sempre venha a nós o pão nosso”.

 

As travessuras e diabruras do menino Leonardo exasperavam a vizinhança. “Na escola a progressão era lenta... lia soletrado, sofrivelmente e escrevia ainda pior, era desordenado, não se mantinha quieto, parecendo que uma mola oculta o impelia como um moto contínuo”.

 

Nesse livro, portanto, Manoel Antonio de Almeida apresenta fatos que na condição de médico, tem valor científico, em decorrência da fidedignidade descritiva dos comportamentos, da interação social, das dificuldades no aprendizado, denotando lentidão, déficit de atenção, comprometimento da leitura e escrita, desorganização e falha na identificação da lateralidade, resistência á respeito de regras educacionais.

 

O autor descreve, nesse livro, ações do menino que muito o impressionaram, motivando o registro das falhas psicocomportamentais no transcorrer do desenvolvimento.

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