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Associação Brasileira do Déficit de Atenção

Qua, 24 de Junho de 2009 21:44 Associação Brasileira do Déficit de Atenção
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LogoABDA.jpgCarta Aberta ao Jornal Nacional do dia 18 de junho de 2009

A reportagem veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, representou mais uma dentre as várias matérias recentes cujo conteúdo apresenta uma percepção incorreta do Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH)

  1. A ausência de vários pesquisadores por si só é bastante sugestiva. São entrevistados alguns profissionais que emitem opiniões próprias, como se elas fossem representativas de sua categoria. Ao contrário do que disse um dos entrevistados, existe consenso entre médicos neurologistas, neuropediatras, pediatras e psiquiatras que o TDAH frequentemente exige tratamento medicamentoso. A opinião pessoal de um profissional, quando oposta aos demais de sua categoria profissional, aos consensos publicados na literatura científica e aos achados de pesquisa não apenas é irrelevante como potencialmente danosa. Com o advento da moderna medicina, o que um profissional “acha” sobre determinada doença ou seu tratamento não é mais relevante: é necessário consultar os resultados de pesquisas científicas realizadas por diferentes estudiosos, em diversos países, inclusive por grupos que competem entre si. O nome disto é medicina baseada em evidência e é improvável que jornalistas não conheçam isto.
  1. Só há uma forma de se “averiguar” se determinada concepção é correta ou não: através de pesquisa científica publicada em revistas especializadas. Os estudos são revisados por pareceristas anônimos, também pesquisadores. Mesmo após passar pelo seu crivo os resultados, por terem sido apresentados em detalhes, podem ser criticados, novamente analisados e mesmo reproduzidos (ou não) por outros. Por outro lado, como seria possível “averiguar” a “opinião pessoal” de alguém? Será que os jornalistas realmente crêem que “achismo” é relevante?
  2. Seria oportuno que os jornalistas indicassem os critérios de seleção de alguns entrevistados. Mas como tais critérios na mídia são obscuros, só resta ao expectador consultar se os entrevistados que discorrem contra o TDAH e seu tratamento, alguma vez na vida pesquisou ou publicou um artigo cientifico sobre TDAH: basta consultar o site www.lattes.cnpq.br
  3. Por que não entrevistam associação de portadores, como a ABDA? Não são justamente os portadores e seus familiares os maiores interessados neste assunto?
  4. Entrevistar um único indivíduo que sofreu efeitos colaterais de qualquer medicamento que seja é, na melhor das hipóteses, sinal de ignorância. Na pior delas, sinal de má fé. Os brasileiros perderam um grande nome da música popular por conta de uma anestesia. Isto significa que devemos abolir as anestesias? Um dos medicamentos mais utilizados para dor e febre, vendido sem receita médica e de uso infantil, é o acetaminofen, que muito raramente pode levar a graves complicações hepáticas (no fígado), inclusive fatais. Isto não significa que o medicamento deva ser proibido. Será que ensinam matemática nos cursos de jornalismo? Mais ainda, não sabemos sequer se a criança da reportagem de fato tinha TDAH, se foi diagnosticada por especialista e recebeu prescrição de modo correto.
  5. Por ultimo, enfatizamos que existem inúmeros estudos científicos demonstrando que o TDAH, quando não tratado, se associa a várias complicações: uso de drogas, mais fracasso escolar e mais repetência, maiores índices de desemprego, maior freqüência de depressão e ansiedade, mais acidentes automobilísticos e maiores índices de divórcio. Por este motivo, agradecemos aos 3 profissionais que na entrevista discorreram de forma correta, responsável e ética acerca do TDAH, a saber: Dr. Claudio Costa, Dra. Claudia Machado e Regina Volpini.

Matérias jornalísticas têm elevado impacto na população, de modo geral. Quando seu conteúdo apresenta inverdades ou promove o medo injustificado ao tratamento de uma doença séria, faz grave desserviço ao país. Mais ainda, quando sob uma falsa maquiagem de imparcialidade apresenta visões opostas providenciando, entretanto que uma delas tenha destaque ou enorme apelo, mesmo se sabendo infundada, infringe o mais básico dos preceitos do jornalismo.

Associação Brasileira do Déficit de Atenção

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Última atualização em Ter, 11 de Agosto de 2009 15:54

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