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13/11/2008 Notícias de Anaheim – Califórnia - EUA

Sex, 14 de Novembro de 2008 21:38 Dr. Marco A. Arruda
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Esse país parece ter nascido de novo. A indisfarçável esperança do povo americano em novos e melhores tempos superou as lembranças da “decadência Bush” e a alienação das bolsas mundiais. Fatos como o 11 de setembro, a invasão do Iraque e Guantánamo foram deletados da memória, algo como se o tio Sam estivesse sofrendo de amnésia pós-traumática ou um tsunami tivesse invadido o país, um tsunami chamado Barack Obama.

Alguns historiadores comparam a importância da sua eleição à queda do muro de Berlim. Um olhar mais atento pode facilmente perceber isso, seja na mídia, nas ruas ou nas pessoas, especialmente nas mais simples. O árabe motorista do taxi amarelo, o bigodudo barman mexicano e a bela mulher negra recepcionista do hotel fazem parte da minha pequena amostragem. Quais motivos fizeram com que todos votassem em Obama? Sincretismo racial? Carisma? Profecia? Façam suas apostas. Eu aposto na intuição de que todos vêem Obama como um Kennedy pós-moderno, um presidente capaz de fazer desse país e do mundo um lugar melhor para se viver.

 ...

Enquanto isso não acontece, esse correspondente reporta com exclusividade para você, cidadão da COMUNIDADE APRENDER CRIANÇA, todas as novidades do CHADD.

Ilustracao.jpgO CHADD é o mais importante evento na área de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) com participantes de todo o mundo, desde portadores e familiares até renomados pesquisadores das áreas básica e clínica das Neurociências.

Comemorando seu 20º. Aniversário aqui em Anaheim, terra onde Walt Disney deu início ao seu sonho, essa edição do CHADD realiza alguns dos seus também. Recentemente o Congresso Americano aprovou moção que prevê acomodações especiais para as crianças e adolescentes portadores de TDAH. Quem acompanhou a longa batalha sabe avaliar a importância dessa conquista. O último CHADD, realizado ano passado em Washington, foi, sem dúvida, decisivo. Era um dia chuvoso e lembro bem de toda a mobilização em passeata até o Congresso Americano. As visitas aos deputados e senadores haviam sido agendadas e a pressão foi muito grande. Acredite se quiser, estavam lá até alguns “brazucas” engrossando o movimento.

O resultado está aí, direitos especiais e respeito às minorias. Sonho com o dia em que isso acontecer no Brasil. Não podemos mais aceitar que crianças com necessidades especiais, como as portadoras de TDAH, sejam deixadas para trás. O processo é irreversível e devemos acreditar, a Associação Brasileira do Déficit de Atenção foi recentemente convidada a participar de discussões preliminares no Ministério da Educação! Vamos aguardar as notícias.

No dia de ontem participei de dois cursos, um pela manhã sobre diagnóstico diferencial e tratamento de casos complicados e outro à tarde, sobre atualização em medicamentos para o TDAH.

O curso matinal foi ministrado pelo Dr. James McCracken (parece até nome de bolacha!), Professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e pesquisador do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH). O curso durou três horas e foi bastante didático, com abordagem de temas de difícil manejo na clínica de crianças e adolescentes com TDAH.

Sabemos que cerca de 70% dos pacientes portadores de TDAH apresentam também outros transtornos mentais, essa associação não casual é denominada comorbidade. Significa dizer que não ocorre por coincidência, mas sim por interações existentes entre esses diversos transtornos fazendo com que a associação ocorra mais freqüentemente do que o esperado na população geral. As comorbidades podem ocorrer por um mecanismo fisiopatogênico comum aos transtornos em questão.

Para maiores detalhes sobre comorbidades no TDAH disponibilizei nesse boletim material que apresentei sobre o tema no 1º. Congresso Internacional de Psiquiatria da Infância e Adolescência do SEPIA-HC-FMUSP realizado ano passado em São Paulo.
Clique aqui para exibir a apresentação (utilize os contrôles no rodapé da página)

Em muitos casos, identificar a(s) comorbidade(s) não é uma tarefa tão fácil, mais desafiante ainda é o processo inverso, de diagnóstico diferencial, quando a perícia clínica afasta a possibilidade de comorbidade em um caso que inicialmente parecia haver!

Quais condições clínicas podem confundir o diagnóstico diferencial do TDAH? As principais condições abordadas no curso foram o Transtorno do Uso de Substâncias (TUS), os Transtornos de Ansiedade (TA), o Transtorno do Humor Bipolar (THB) e o Transtorno de Personalidade do tipo Borderline (TP).

A abordagem terapêutica só vai ter sucesso quando definidas essas questões diagnósticas. Aliás, sempre devemos pensar nelas quando estamos diante de um caso de TDAH que não responde adequadamente ao tratamento. As evidências científicas comprovam a alta eficácia do tratamento multimodal do TDAH, cerca de 80% dos casos.

A existência de uma comorbidade não identificada na primeira consulta é uma possibilidade, a outra é o famoso “parece, mas não é”, um caso que inicialmente parecia ser TDAH, mas que na verdade tratava-se de THB.

O Prof. McCracken discutiu também várias situações clínicas desafiantes no tratamento do TDAH em crianças e adolescentes como pré-escolares com atraso no desenvolvimento motor ou de linguagem, adolescentes com TDAH e que usam substâncias, comorbidade com tiques, Síndrome de Tourette e ansiedade pronunciada.

Ele terminou sua atividade indicando sites na internet que apresentam guidelines (guias de práticas clínicas) com orientações sobre o tratamento desses casos difíceis:

www.aap.org
www.dshs.state.tx.us/mhprograms/CMAP.s.htm

O curso da tarde foi muito pesado! Além da enorme quantidade de informação, a fala veloz do palestrante tinha um confundível sotaque californiano. Glen R. Elliott é Professor Emérito de Psiquiatria da Universidade da Califórnia em San Francisco e coordena pesquisas em tratamento do TDAH há mais de 20 anos, entre elas o MTA.

O curso trouxe para o participante, informações atualizadas sobre tratamento, medicamentos existentes no mercado americano e outros ainda por vir.

É de espantar a quantidade de opções de medicamentos que o especialista americano tem para utilizar no tratamento do TDAH. Entre os psicoestimulantes, ainda considerados gold-standard (padrão ouro) no tratamento desse transtorno, encontram-se 21 apresentações diferentes, cada uma com um perfil farmacológico específico. Essa diversidade permite ao médico atender melhor as necessidades e especificidades de cada paciente, obtendo maior eficácia no tratamento. O contraste é grande uma vez que temos no Brasil apenas 3.

Enquanto, em nosso meio, temos apenas a opção de prescrição de cápsula e comprimido, aqui nos EUA existem ainda as formas líquida (solução), patch (adesivo) e goma de mascar (assim também é demais, embora não deixe de ser útil!).

Foram apresentados dados promissores sobre novos medicamentos ainda não comercializados no Brasil e que não pertencem à classe dos psicoestimulantes, como a atomoxetina e o modafinil.

Uma parte bastante interessante do curso foi a abordagem de situações especiais como a observada em crianças portadoras de TDAH cujas manifestações são muito exuberantes no início da manhã, aquelas com atividade extracurricular após o horário escolar e dificuldades com o sono. No final foram apresentadas estratégias para identificação e manejo dos efeitos colaterais.

Se não parassem o californiano ele certamente teria entrado noite adentro.

É amigo, o “go-go way of life” é aqui!

Então eu aproveito e já “vou indo”!

Nos encontramos amanhã com mais Notícias de Anaheim.

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Comentários (1)Add Comment
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Notícias de Anaheim
escrito por Ana Rita Okubo Ferreira, 19 novembro 2008
Que privilégio participar desta Comunidade!Ter acesso a estas notícias diretamente de Anaheim é muito bom.Saber que cada vez mais os TDAHs estão sendo tratados com mais carinho e respeito nos dá esperança.
Dr. Arruda,tenho certeza que ainda faremos uma grande mobilização direcionada aos nossos políticos para melhorias de nossas crianças.O último Congresso realizado pelo Instituto Glia já foi um grande encontro de profissionais que já estão se mobilizando para que nenhuma criança fique para trás.Um grande abraço
Ana Rita Okubo Ferreira

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Última atualização em Ter, 18 de Novembro de 2008 09:26

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Universidade São Carlos

Baixe aqui a última apresentção do Dr. Arruda sobre TDAH que aconteceu no dia 04 de junho de 2011 na Universidade São Carlos - São Paulo

 

Projeto Atenção Brasil

Homenagem aos pesquisadores do Projeto Atenção Brasil realizada no Congresso Aprender Criança 2010.
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Jornal Band - TDAH

Entrevista do Dr. Marco Arruda ao Jornal da Band sobre TDAH.
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