- “Quando ensinamos aprendemos!”
Assim começou a brilhante apresentação do Prof. Antonio Battro, que minutos antes confirmou seu aceite ao meu convite para o APRENDER CRIANÇA 2010. Ele é o primeiro convidado internacional, os outros ainda são surpresa!
A conferência do Prof. Battro: “The teaching brain” (trad. O cérebro que ensina) foi seminal e marcou a conferência do IMBES desse ano. Ele introduziu seus argumentos reproduzindo um dos diálogos socráticos escritos por Platão, Meno, que versa sobre a doutrina filosófica do Inatismo segundo a qual a mente humana, ao nascimento, não é uma “lâmina em branco” (a blank slate), um espaço vazio, mas dotada de conhecimentos inatos. Contrapõe-se ao Inatismo o empirismo de John Locke e, posteriormente de behavioristas como Thorndike, que influenciaram de forma indelével a Educação ocidental a partir do século XIX.
O Inatismo e o Nativismo se referem à noção de um conhecimento pré-existente na mente ao nascimento, no entanto, diferem quanto à origem desse conhecimento. Para o Inatismo, referente à filosofia de Platão e Descartes, esses conhecimentos são dados por Deus, outro ser ou processo equivalente. Para o Nativismo, alimentado nos campos da Genética, da Psicolingüística e da Psicologia Cognitiva, esses conhecimentos seriam geneticamente programados, ou seja, um fenótipo de determinados genótipos que toda a humanidade tem em comum.
Nessa linha ele prosseguiu insistindo no modelo de APRENDER como a interação permanente entre habilidades ou conhecimentos inatos despertados pelas experiências e intervenções de quem EDUCA. Em um sentido profundo, quem educa e intervêm, para Battro, é o “Homo sapiens docens”, nós, espécie humana, a única a desenvolver um sistema pedagógico capaz de transmitir a informação de geração a geração. Nossa capacidade de ensinar tem início precoce em nossas vidas, a pulsão por ensinar o outro se manifesta bem cedo na criança, com alguns meses de vida. Sabemos bastante sobre “O cérebro que aprende”, seja da criança ou do adulto, mas agora a Neuroeducação está desenvolvendo também novas ferramentas para entendermos melhor “O cérebro que ensina”.
“O cérebro que ensina” tem hoje o grande suporte da tecnologia da informação e o Prof. Antonio Battro sabe muito bem disso. Ele é um dos diretores do programa mundial One Laptop Per Child (OLPC, “um laptop por criança”). O OLPC é uma iniciativa humanitária que está mudando a história das crianças pobres do nosso planeta e certamente pode mudá-lo como um todo, através da educação e inserção social dessa parcela enorme da humanidade que foi deixada para trás.
O OLPC foi criado por Nicholas Negroponte, Professor aposentado do renomado MIT (Massachussets Institute of Technology), e lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suiça) em 2005.
A missão desse magnífico programa é criar oportunidades educacionais para as crianças mais pobres do planeta através do uso de laptops e programas especialmente desenvolvidos e doados para essa população. Para os idealizadores do projeto, quando a criança tem acesso a esse tipo de ferramenta passa a ser inserida em um processo de aprender, compartilhar, criar e colaborar, conectando-se aos outros e ao mundo por um futuro melhor (maiores informações no site: http://laptop.org ).
Na América Latina alguns países, especialmente o Peru, já aderiram ao programa. O Brasil está começando e alguns projetos pilotos encontram-se em andamento no Rio Grande do Sul.
O XO, como é conhecido esse protótipo de laptop, é muito resistente, barato (para os governos ou iniciativa privada aderirem à doação), funcional, divertido e, pasmem, ambientalmente correto e sustentável, pode ser movido a energia solar!
Terminando sua magna conferência o Professor Battro mostrou uma foto (que vocês vêem ao lado) de um grupo de crianças uruguaias montadas em seus cavalos, único meio de transporte para irem à escola, exibindo eufóricas seus XO. Em uma palestra, proferida por ele sobre o OLPC em uma escola na Itália, foi surpreendido pela diversidade, ao invés das crianças pedirem o XO, preferiram os cavalos!!!
O profundo e hediondo abismo econômico e educacional em nossa civilização um dia pode ser transposto por gênios humanitários como Negroponte e Battro.
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Baixe aqui a última apresentção do Dr. Arruda sobre TDAH que aconteceu no dia 04 de junho de 2011 na Universidade São Carlos - São Paulo
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