Evidências de que Educação afeta o QI

A despeito de quais sejam as variáveis que afetam a Educação, bem como, de que forma esta se relaciona com a inteligência, ninguém pode arguir contra a Educação. Mais Educação sempre é melhor. Quanto mais uma pessoa conhece, quanto melhor ela se torna. Parte importante da boa Educação é a análise crítica de ideias.

Muitas coisas que aprendemos podem estar erradas. E sem a oportunidade de examinar as ideias criticamente, erro e superstição são perpetuados. A perpetuação de um pensamento errado pode ser prejudicial à espécie humana. De forma que torna-se importante que as ideias propagadas pela Educação sejam corretas. Logo, Educação é definida como a perpetuação e a avaliação crítica da informação. Educação é uma variável ambiental. A disponibilidade da Educação é um modelador importante do ambiente de uma pessoa.

            A intenção original do teste de QI era predizer quem desempenharia pobremente na escola, de modo que pudesse receber reforço escolar. Esta afirmação implica que o processo de Educação seria suficientemente entendido para fornecer ajuda extra necessária se alguém pontuasse baixo num teste de QI. Isto traz duas questões-chave sobre a relação entre inteligência e desempenho acadêmico. A primeira é “Se inteligência causa desempenho acadêmico, o quão modificável este é?”. Logo, é difícil de acreditar que inteligência não esteja relacionada ao desempenho acadêmico. A segunda questão é “Se desempenho acadêmico causa inteligência, em qual extensão isso ocorre?”. Novamente, é difícil acreditar que não haja qualquer relação entre a Educação de uma pessoa e seu escore de QI. Naturalmente, uma terceira possibilidade é que haja efeitos recíprocos entre inteligência e educação.

            Inúmeros estudos examinaram o que acontece ao QI quando Educação está ausente ou reduzida. Vejamos, então, alguns efeitos da escolaridade sobre o QI, baseados nestes estudos: 1º) anos de escolaridade: autores argumentam que alta correlação entre anos de escolaridade e QI pode indicar que completar maior escolaridade é, realmente, a causa de QIs mais elevados. Todavia, duas fontes de evidência tornam essa explicação improvável: há estudos que usam alto QI para estimar o QI médio daqueles que completam posteriormente os níveis de escolaridade. E essas estimativas concordam com pontuações de QI obtidas para aqueles que têm completado vários níveis de Educação; do mesmo modo, há estudos sobre taxas de evasão escolar onde testes de QI são aplicados inicialmente e os estudantes são acompanhados. Estes estudos mostram taxas mais elevadas de evasão escolar para pessoas com QI menores; 2º) férias escolares: vários estudos têm mostrado que, ao longo das férias escolares, elevação no desempenho escolar e nas pontuações de QI são mais lentas ou perdidas. Esse efeito é particularmente pronunciado em crianças de baixo nível socieconômico.

            Continuando: 3º) escolaridade intermitente: estudos envolvendo crianças que raramente vão à escola (populações que vivem, por exemplo, em áreas isoladas) as quais, por conta disso, apresentam baixo QI, o qual declina com a idade. Em geral, quanto mais isolados forem os grupos, e menor educação formal eles possuírem, menores as pontuações de QI dos mesmos; 4º) escolaridade atrasada: atrasos na escolaridade causam diminuição no QI entre 3,5 a 7 pontos de QI por ano; 5º) término prematuro da escolaridade: deixar a escola precocemente pode, também, abaixar o QI comparado com aqueles que permanecem na escola. Estudo sueco encontrou que aqueles que deixaram a escola precocemente do que seus pares perderam 1,8 pontos de QI por ano de educação ausente; 6º) quantidade de escolaridade: muitas escolas têm datas-limite que determinam quando uma criança é elegível para ser matriculada no 1º ano de Educação Escolar. Crianças nascidas um dia após a data limite não são permitidas serem matriculadas enquanto aquelas nascidas antes pode. Isto fornece um experimento natural onde duas crianças, diferindo em idade por apenas um dia, terão um ano de diferença em educação. Estudo realizado em Israel investigou crianças de 4ª, 5ª e 6ª séries, concluindo que escores de QI não são independentes do nível de escolaridade e que as normas para aferir o QI deveriam incluir o nível de Educação completada, bem como, a idade a ser completamente acurada. Em geral, tal estudo revelou que uma criança que começou cedo na escola terá um nível de QI mais elevado de que uma outra que começou depois quando ambas terminam a mesma quantidade de escolaridade. Em outras palavras, uma pessoa com mais Educação fará muito melhor quando testada na mesma idade.

            Concluindo, pode-se afirmar, cautelosamente, que frequentar escolas explica uma parcela substancial da variância no QI das crianças. Abandonar a escola pode produzir declínio de 0,25 a 6,0 pontos de QI ao longo da vida. Tais evidências confirmam, portanto, que uma Educação de qualidade, por estar intimamente relacionada à elevação da inteligência, ou das habilidades cognitivas que a compõem, é o ingrediente ativo para o progresso econômico de uma nação. Por isso, urge que façamos, imediatamente, uma relevante reforma educacional. Educar é fomentar as habilidades cognitivas, e isto é, em essência, a inteligência.

Professor da USP-RP*

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