O que é Neurofeedback ?

O neurofeedback surgiu da junção da Neurologia, fisiologia e da psicologia experimental. Baseia-se no registro e análise precisa da atividade elétrica do cérebro. Esses parâmetros são selecionados e apresentados em tempo real para quem está treinando em forma de autoinformação (feedback). Estes parâmetros representam determinados processos fisiológicos, que normalmente ignorados e escapam ao nosso controle. O Neurofeedback é para eles uma espécie de espelho: ao utilizar-se o sinal de autoinformação, aprende-se a modelar melhor estes processos.

Em 1924, Hans Berger construiu o primeiro aparelho de encefalografia (EEG) - um dispositivo que permite o registro gráfico da atividade elétrica do cérebro medida no couro cabeludo.   Nosso cérebro produz vários tipos de ondas, o tempo todo, mas, dependendo da atividade que estamos executando, alguns tipos de ondas cerebrais predominam naquele momento. Ondas curtas e rápidas geralmente estão associadas à estados cognitivos de atenção e concentração, enquanto ondas longas e lentas significam estados de dispersão, devaneio, relaxamento ou sono. Algumas dessas ondas são: 
  • ondas Alfa – estados de extremo relaxamento;
  • ondas Delta - que aparecem no sono mais profundo; 
  • ondas Theta  - ondas de devaneio; 
  • ondas Beta  - que surgem normalmente nas pessoas adultas durante a atividade diária. 
  • ondas SMR – ondas de atenção
 Em 1958, Joe Kamiya decidiu examinar se possuímos a capacidade de diferenciar subjetivamente os tipos de ondas geridas pelo próprio cérebro. O paciente era examinado com o eletroencefalograma e era perguntado a ele se estava no “estado Alfa”. Verificava-se, através do EEG, se a resposta era correta ou não. Nos primeiros treinos percebeu-se que a pessoa errava muito, mas que, depois de alguns dias de treino, ela conseguia identificar corretamente o momento em que estava no estado alfa e conseguia até induzir esse estado. Demonstrou-se a partir daí, que era possível aprender a controlar, conscientemente, um modo de funcionamento geral do cérebro, o estado de consciência e a qualidade de funcionamento da mente. Assim nasceu o Neurofeedback !!.As descobertas acerca da capacidade de controle voluntário de processos pertencentes ao SNA resultaram em uma nova teoria da aprendizagem, com princípios e métodos derivados da psicofisiologia aplicada. Essa aproximação da psicologia e da Biologia possibilitou a aparição da neurociência do comportamento. A primeira aplicação terapêutica de neurofeedback foi em 1971 (com Barry Sterman). Com treinos de aumento da predominância de ondas SMR era possível  reduzir a freqüência de ataques epilépticos em humanos. Nos finais dos anos 70, Joel Lubar começou a investigar as aplicações do método em crianças com déficit de atenção e hiperatividade e os resultados revelaram ser ainda melhores. Atualmente é a aplicação mais usada do neurofeedback. Foram criadas sociedades científicas para a pesquisa e estudo nessa área, dentre elas, a Association of Applied Psychophysiology and  Biofeedback Foundation of Europe e a International Society for Neuronal Regulation.  O neurofeedback é um tipo de biofeedback, que, com condicionamento apropriado e treinos repetidos é possível controlar processos corporais de forma consciente. Podemos dizer que é uma aprendizagem cerebral. Atualmente, há equipamentos modernos que funcionam como um videogame e que conseguem alterar o padrão de freqüência das ondas cerebrais dos pacientes com TDAH. Os jogos estimulam, através de reforçamento condicionado, a alterar voluntariamente a freqüência das ondas cerebrais. Ao longo das sessões de neurofeedback, o paciente passa por um processo de aprendizagem, onde ele se torna capaz de aumentar a freqüência de suas ondas cerebrais e, deste modo, focar e sustentar sua atenção, de forma voluntária. Mais abrangente, o biofeedback é um procedimento de treino comportamental muito utilizado nos USA e Europa.  Considerado o tratamento do século XXI, a técnica vem sendo empregada com sucesso no tratamento das patologias mais comuns da modernidade, como estresse, ansiedade, dores de cabeça, distúrbio do sono, crise do pânico, TDAH, hipertensão, alcoolismo e abuso de drogas, além de ser eficaz também no tratamento da artrite, dor crônica, epilepsia, ecoprese, memória senil, reabilitação cognitiva (traumas) e incontinência urinária. O Biofeedback ensina a mente a controlar o corpo e permite à pessoa regular, voluntariamente, as reações fisiológicas e emocionais. Por meio de um moderno software com eletrodos, que são ligados a diferentes partes do corpo, a técnica monitora o batimento cardíaco, a atividade cerebral, a tensão muscular, o fluxo sanguíneo, entre outras funções reguladas pelo Sistema Nervoso Central. Resumidamente, podemos dizer também que o termo Biofeedback corresponde às técnicas de tratamento, nas quais as pessoas são treinadas a melhorar sua capacidade de auto-regulação, utilizando os sinais do próprio corpo. Os softwares do Biofeedback trazem imagens e figuras de fácil interpretação, além de recursos como capacetes com sensores de monitoramento cerebral (utlizado no neurofeedback) e óculos especiais que simulam situações em três dimensões.  
Back to top