Inteligência Emocional: Fato ou Ficção?

IntelEmocionalInteligência emocional é um dos desenvolvimentos mais recentes do entendimento da relação entre razão e emoção. Diferente da crença tradicional, sua contribuição genuína reside no fato de verificar pensamento e sentimento como elementos adaptativos, inteligentemente conectados. Enquanto Blaise Pascal perpetuou “O coração tem razões que a própria razão desconhece”, o conceito de IE sugere que ambos, coração e razão, não estão tão separados quanto se supunha.
Atualmente, aceitando-se a existência de diferentes tipos de inteligência, correspondentes às capacidades de perceber, entender e usar símbolos, raciocinando abstratamente, IE, integrante que é deste grupo, denota capacidade para entender, e usar, informação emocional. Em adição, reflete a capacidade do sistema emocional de enriquecer a inteligência. Operacionalmente definida, envolve a habilidade para perceber, com acurácia, e expressar emoção. Habilidade para acessar e gerar sentimentos, quando estes facilitam o pensamento; bem como, para entender tanto a emoção quanto o conhecimento emocional,
IE regula emoções, objetivando a promoção do conhecimento intelectual e emocional. Neste sentido, IE é um conjunto de habilidades que podem ser melhoradas e enriquecidas através de educação apropriada.
Muitos acreditam que tal tipo de inteligência é importante em nosso cotidiano. De fato, parece razoável assumir que aqueles, com dificuldades em lidar com emoções, terão relacionamentos mais sofridos, saúde mental pouco saudável e menos sucesso profissional. Como exemplos, citam-se aqueles que, não conseguindo controlar a própria raiva no ambiente de trabalho, ocasionam irritação nos colegas, alienação do empregador e, na pior das hipóteses, perda do próprio emprego. De modo análogo, o desconhecimento sobre “o quê” os que nos rodeiam estão sentindo, acarreta-nos dificuldades no estabelecimento de interações sociais significativas, bem como, na manutenção de relações afetuosas e de um círculo particular de amigos. Tais argumentos, entretanto, apesar de parecerem razoáveis, são insuficientes para provar que IE é algo importante, tanto prática, quanto cientificamente falando.
Alguns dizem que é simplesmente um novo nome para um antigo conceito. Outros, como os filósofos, associam-na à sabedoria. E há aqueles que a entendem como temperamento. Por outro lado, considerando-a inexistente, há, também, os que a consideram, apenas, como marketing promocional. A rigor, para se determinar o valor de IE deve-se, adequadamente, mensurá-la, e determinar suas bases científicas. Entretanto, tal processo de mensuração está, apenas, no início, não havendo, ainda, um instrumento que a mensure, de forma válida e fidedigna, tal como ocorre com as inteligências geral, verbal e lógico-matemática. Estamos, ainda, distantes de aceitar IE como um termo científico preciso. E muitas outras pesquisas ainda serão necessárias para determinar a validade de suas medidas, bem como, mostrar como podemos, efetivamente, lidar com ela, utilizando-a para enriquecer nossas vidas.
Assim considerando, no curso Inteligência Emocional: Teoria, Pesquisa e Prática, a ser realizado no Congresso Aprender Criança 2010, pretende-se discutir com profundidade os diferentes aspectos teóricos-experimentais do conceito de inteligência emocional e, principalmente, mostrar a sua relevância na prática educacional e como ela pode fomentar as competências cognitivas e melhorar o processo de aprendizagem.
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