A arte cientificamente fundamentada de Ensinar

Texto baseado na tese de PhD de Tracey N. Tokuhama-Espinosa “The scientifically substantiated art of teaching: a study in the development of standards in the new academic field of Neuroeducation (Mind, Brain, and Education Science)” (2008).

As novas tecnologias permitem vislumbrarmos o cérebro humano em funcionamento e compreender melhor como aprendemos. Embora a qualidade de informação disponível seja muito heterogênea, a importância dos resultados válidos sobre o cérebro e a aprendizagem é imensa e aponta para uma mudança de paradigma nas práticas de ensino.

A Neurociência da Educação é um novo ramo do conhecimento que tem como objetos de estudo a Educação e o Cérebro, entendido como um órgão social que pode ser modificado pela prática pedagógica. Situa-se na interface de conhecimentos entre as áreas de Neurologia, Psicologia e Pedagogia, com o objetivo de compreender como os seres humanos aprendem melhor, de forma que os professores possam conduzir e maximizar esse aprendizado. A Neurociência da Educação também pode ser definida como o uso da pesquisa científica empírica para o estabelecimento das melhores práticas pedagógicas, viabilizando a mudança de paradigma para um novo modelo de ensino e aprendizagem desde a infância até a idade adulta 2-4.

A seguir se encontram relacionados os princípios e práticas que norteiam o novo modelo de ensino e aprendizagem baseado em evidências científicas da Neurociência da Educação. Os princípios são conceitos de aprendizagem que se aplicam à maioria dos aprendizes ao longo da vida, embora sejam fundamentais para aprendermos como ensinar melhor, a diversidade humana impede a prescrição de uma única receita para todos 1.

Princípios

Princípio 1:Cada cérebro é único e organizado de forma singular.

Princípio 2:Os cérebros não são igualmente bons em tudo.

Princípio 3:O cérebro é um sistema complexo, dinâmico e integrado, constantemente esculpido pelas experiências do viver, no entanto, a maioria dessas modificações ocorrem apenas em nível microscópico e neuroquímico.

Princípio 4:A busca pelo significado é inata do ser humano 5-12.

Princípio 5:O cérebro apresenta um alto grau de plasticidade e se desenvolve ao longo da vida, embora existam limites nessa plasticidade que aumentam com a idade.

Princípio 6:O aprendizado é em parte determinado pela habilidade cerebral de autocorreção, aprender com as experiências, através da análise dos dados e autorreflexão.

Princípio 7:A busca por significado ocorre através do reconhecimento de padrões, ou seja, o cérebro continuamente compara o que sente ao que já conhece 13-17.

Princípio 8:As emoções são críticas na detecção dos padrões, tomada de decisões e aprendizagem 18-27.O estresse 28-30, a ansiedade 31-33 e os estados depressivos prejudicam o aprendizado 32.

Princípio 9:O aprendizado torna-se melhor com o desafio e é inibido por ameaças 34-37.

Princípio 10:O cérebro procura e rapidamente detecta novidade 38-41.

Princípio 11:O aprendizado humano envolve a atenção focalizada e a percepção periférica 34-37.

Princípio 12:O cérebro conceitualmente processa as partes e o todo simultaneamente 42-55.

Princípio 13:O cérebro depende de interação com outras pessoas para dar sentido às situações sociais. Assim, “o suporte (acadêmico, moral ou de outra ordem) recebido dos outros (professores, colegas e familiares) é crítico para o melhor desempenho acadêmico, o que inclui o aprendizado” 56-69.

Princípio 14:Devolutivas (feedbacks) e avaliações significativas são fundamentais para o aprendizado humano 58,70,71.

Princípio 15:O aprendizado é um processo de construção e a habilidade de aprender evolui na medida em que o indivíduo amadurece. “Quando o conhecimento é construído de forma ativa pelo aprendiz, ele se torna engajado e motivado com o aprendizado” 72-75.

Princípio 16:O aprendizado envolve processos conscientes e inconscientes.

Exemplos são encontrados na inter-relação do sono e reconhecimento de faces no aprendizado. O sono é fundamental para a consolidação da memória declarativa e sua privação tem um impacto bastante negativo nesse processo. A habilidade cerebral de reconhecimento de faces e vozes influencia em demasia a forma como a informação recebida por essas fontes é processada (por exemplo, validade, confiabilidade, emoção, etc.) 76-87.

Princípio 17:O aprendizado envolve toda a fisiologia corporal, o corpo influencia o cérebro e o cérebro controla o corpo.

A nutrição, o sono e o estresse impactam a memória e o aprendizado. Bons hábitos alimentares e de sono, bem como o bom estresse (eustresse), interferem positivamente na atenção e no potencial de aprendizagem 76,79,80,88-90.

Princípio 18:Diferentes sistemas de memória (de curto prazo, de trabalho, de longo prazo, emocional, espacial, etc.) recebem e processam informações de diferentes maneiras e são evocadas por vias neurais distintas. “A repetição de pistas para evocação auxilia os processos de memória declarativa” 31,91-103.

Princípio 19:O cérebro memoriza melhor quando os fatos e habilidades encontram-se inseridos em contextos naturais ou exemplos concretos, nos quais o aprendiz compreende os problemas que ele se depara e reconhece como pode resolvê-los 104.Nessa situação a motivação tende a ser maior.

Princípio 20:Aprender depende de memória e atenção 105-108.

Princípio 21:Esses princípios da Neurociência da Educação se aplicam a todas as idades.

Princípio 22:Use ou perca.

“Em termos de fisiologia sináptica, as mais ativas são mais fortes, enquanto as menos ativas mais frágeis 109-113”.

Princípio 23:O movimento 114,115e o humor 55,116podem facilitar o aprendizado.

Princípio 24:O atendimento diferenciado na sala de aula, permitindo que os alunos aprendam em ritmos diferentes, pode ser justificado pelas evidências da diversidade cognitiva infantil 117,118.

Princípio 25:Diferentes estilos de aprendizagem refletem a singularidade do cérebro humano. Todos nós utilizamos vias visuais, auditivas e cinestésicas para processar novas informações, no entanto, as evidências científicas indicam que diferentes pessoas utilizam estratégias diversas em momentos diversos dependendo do contexto da aprendizagem 119-123.

Práticas

Embasados em robustas evidências científicas, os princípios acima descritos viabilizam as práticas educacionais abaixo relacionadas. Muitas dessas práticas são bem conhecidas de muitos educadores que as aplicam com sucesso no dia a dia escolar, outras se mostram intuitivamente óbvias, embora muitas das vezes não sejam colocadas em prática na rotina estudantil por motivos de ordem diversa. De uma forma ou de outra, esses princípios e práticas fundamentam cientificamente a arte de ensinar nesse início do século 21.

Prática 1:Um bom ambiente de aprendizagem é criado e não achado.

Prática 2:Aprendizagem ativa e motivada por descobertas124.

Prática 3:Sentido e Significado1.

Prática 4:O Cérebro busca padrões125.

Prática 5:Memória.

Prática 6:Atenção1.

Prática 7:A natureza social do aprendizado1.

Prática 8:A conexão mente e cérebro1.

Prática 9:Celebrando a diversidade.

Prática 10:Ensino multissensorial

Prática 11:Funções executivas.

Prática 12:Metacognição ou o “aprender a aprender”.

Prática 13:Existem períodos sensíveis para a estimulação cerebral.

 

Tudo isso e muito mais você terá no

I Workshop “Princípios e Práticas em Neurociência da Educação”

15 de agosto de 2014 das 8 às 12 horas

Centro de Eventos do Ribeirão Shopping Center

Ribeirão Preto, SP

Coordenação: Dr. Marco Antônio Arruda

Palestrantes: Dr. Marco Antônio Arruda, Dra. Camila Barros,

Dra. Carolina Pinheiro e Pedagoga Milena Fernandes Mata

Nesse workshop inédito no Brasil a equipe do Instituto Glia apresentará em primeira mão os referenciais teóricos, fundamentos e práticas que regem a Neurociência da Educação, com medidas de aplicação imediata desses conhecimentos em sala de aula.

Como identificar as dificuldades, habilidades e potencialidades cognitivas em seus alunos, filhos ou pacientes?

Como atender a essa diversidade reabilitando as defasagens e potencializando as habilidades?

Como aplicar esses conhecimentos em casa e na sala de aula?

As respostas a essas perguntas e muito mais, com disponibilização de vídeos, técnicas e materiais especialmente desenvolvidos pela equipe do Instituto Glia para todos os participantes. Não perca!

 

Back to top