Você tem medo do que?

ImageCom a “gripe” solta foi melhor cancelar a visita ao Miami Children Hospital, oportunidade muito boa para escrever sobre a amígdala, sede do medo em nosso cérebro. É certo que essa fica no “andar de cima”, não é a da garganta, sede de dores e infecções da infância, do medo de nossas mães proibirem o sorvete no final de semana...

A palavra amígdala deriva do grego e significa amêndoa, que define a sua forma. Nós, vertebrados complexos, temos duas, uma em cada hemisfério cerebral, localizadas no “miolo” dos lobos temporais. Para chegar até elas entre pelos olhos, siga reto em direção à nuca, ficam na esquina com as orelhas. Elas são formadas por vários núcleos de neurônios, cada qual com suas funções e conexões específicas com outras áreas cerebrais.

 Além da sua importante função de formar e armazenar memórias relacionadas a eventos de forte conteúdo emocional, as amígdalas modulam várias emoções, entre elas o medo. Uma boa maneira de entendermos a sua importância é através da Síndrome de Klüver-Bucy, onde ocorre a destruição das amígdalas por um processo vascular (derrame), degenerativo (Doença de Alzheimer), tumoral, traumático ou infeccioso (meningoencefalite). Os pacientes “sem amígdalas” tornam-se pessoas extremamente dóceis, serenas e, como diria o meu amigo dragão, “sem medo de nada”. Eles apresentam dificuldades em reconhecer pessoas e objetos familiares, além de hiperoralidade (compulsão por examinar tudo com a boca), bulimia (“farras” alimentares seguidas de comportamentos compensatórios como a provocação de vômitos) e hipersexualidade. Outras doenças também estão relacionadas ao mau funcionamento das amígdalas. Pesquisadores do Massachusetts General Hospital, recentemente identificaram no cérebro de dependentes de cocaína amígdalas de tamanho significativamente menor que o normal, indicando uma predisposição neurobiológica para o vício. Outro time de neurocientistas da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA) em 2006 foram os primeiros a descrever a redução do tamanho das amígdalas em crianças com autismo, o que sugere também funções de interação social. Numerosas outras pesquisas comprovam a estreita relação dos Transtornos de Ansiedade, entre eles o Transtorno do Pânico, e as nossas amêndoas.

Ter medo é bom, desde que não seja de forma exagerada. A percepção de perigo e o sentimento de medo são habilidades cerebrais fundamentais para a nossa sobrevivência.

Na incansável cruzada para convencê-los da importância primordial do cérebro sobre os demais órgãos, aconselho a correção: “Quem tem amígdalas tem medo”.

Nos vemos na Comunidade Aprender Criança 

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