Lutar ou voar

Lutar_CorrerE a semana, como foi? Estressou?

Cuidado caro leitor, pesquisas recentes mostram que o estresse pode “matar” células nervosas no hipocampo, região cerebral que armazena memórias de longo prazo.

Já ouviu falar da resposta “fight or flight” (em Inglês, lutar ou voar)?

Pois bem, ao longo da nossa história evolutiva o cérebro cuidou de desenvolver mecanismos de resposta imediata a situações de risco potencial para a nossa sobrevivência. Esse mecanismo foi descrito em 1915 por Walter Bradford Cannon, Professor de Fisiologia da Universidade de Harvard.

Ao identificar a situação de risco, a amígdala (não a da garganta, a outra, do cérebro!) envia comandos para o hipotálamo (importante região cerebral que coordena a produção de hormônios) que, por sua vez, ordena às glândulas suprarrenais (localizadas próximas aos rins) a produzir as famosas adrenalina e noradrenalina. Essas inseparáveis amigas vão provocar numerosas reações em nosso corpo. O coração dispara, a respiração torna-se ofegante, as mãos gelam, a boca seca e o sujeito, literalmente, “amarela”, empalidece. Essas reações ocorrem para que o sangue seja desviado da pele e de outros órgãos para os músculos, dada a necessidade premente de lutar (enfrentar) ou de voar (fugir) em resposta ao risco eminente.

Com certeza você já passou por uma dessas, é só lembrar!

Com certeza vai lembrar-se também do inconfundível “friozinho” na barriga provocado por aquela arrebatadora paixão. O cérebro tem dessas coisas, identifica, bem antes da gente, as situações de perigo potencial.

Ao mesmo tempo em que adrenalina e noradrenalina fazem o seu trabalho, as suprarrenais produzem um hormônio chamado cortisol e aqui é que mora o perigo! O cortisol é um hormônio de extrema importância nos processos biológicos, pois é responsável por vários mecanismos de defesa contra agentes agressores, sejam eles infecciosos, inflamatórios, tumorais ou traumáticos. Diante de um risco eminente de agressão ele é produzido e, dependendo do estímulo, pode ser produzido em concentrações extremamente altas, capazes de provocar morte celular. Entre as ações nocivas do cortisol temos a morte de células no hipocampo, supressão da fertilidade nos órgãos reprodutores e da produção de insulina pelo pâncreas. Daí a explicação para pessoas que se tornam diabéticas após um forte estresse ou de mulheres que após muitos anos tentando engravidar, quando “relaxam” ou “desistem”, conseguem o tão desejado êxito.

Além dos males ao coração e outros órgãos, o estresse faz muito mal para o seu cérebro. Não se esqueça, não se estresse.

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