Noel e o marshmallow

Marshmellow.jpgEra 1960 e a criançada aguardava a chegada da Professora à sala de aula. Ao entrar, todos viram que ela trazia consigo um pacote cheio de marshmallow. Aquilo era inacreditável! O Toninho, que de diminutivo só tinha o nome e os 4 anos de idade, não se conteve e quase caiu da carteira. Antes de distribuir a iguaria a Professora deu as instruções, teria que sair e voltaria em 20 minutos, quem não atacasse o indefeso marshmallow até a sua volta ganharia outro como recompensa. Quem não resistisse à tentação da gula, caso provável do Toninho, nada ganharia a mais.

Estamos falando de um experimento denominado Marshmallow Test conduzido pelo psicólogo americano Walter Mischel da Universidade de Colúmbia nos idos dos anos 60. Os pesquisadores concluíram que as crianças capazes de aguardar a volta do Professor para ganhar o segundo marshmallow apresentaram, naquele momento e ao longo da infância e adolescência, maiores habilidades sociais, menor freqüência de transtornos mentais e mais de 200 pontos acima nos testes de aptidão escolar (SAT), em relação às que não conseguiram adiar a recompensa.

 

Nos dias de hoje, com o auxílio de modernos equipamentos que mostram nosso cérebro em funcionamento e sob demanda, vários pesquisadores, entre eles o próprio Mischel, tentam decifrar que áreas e circuitos cerebrais encontram-se envolvidos no adiamento de recompensas. Estudos recentemente publicados apontam para o córtex pré-frontal que, como vimos nessa coluna nas últimas semanas, é nosso breque comportamental, sede também de outras funções como atenção, memória e planejamento.

Nossa moderna sociedade ocidental parece não dar a mínima para essa habilidade. Recompensas no passado, como o refrigerante do final de semana, hoje encontram-se incorporadas no dia-a-dia da criançada que cresce aprendendo que não deve esperar.

Adicione a pais despreparados e sem tempo para educar, uma boa dose de mídia televisiva e videogames, está pronta a receita de filhos incapazes de adiar recompensas. Observando a TV com outros olhos, você não terá dificuldade de identificar ali uma mensagem subliminar de que “só vale a pena o que dá prazer imediato”. Nos games, ao acertar, a criança ganha bônus, passa de fase e assim sucessivamente até zerar, o que é isso senão um treinamento de recompensa imediata?

Consumir, mesmo que não seja preciso; comer, mesmo que não seja saudável; sexo, drogas e tantas coisas mais. Em tempos de crise podemos dizer que na “bolsa do prazer imediato” estão em franca queda as ações do respeitar, do estudar e da escola (essa sim, a maior invenção do homem).

Adiar recompensas é fundamental para o desenvolvimento e a saúde mental da criança e do adolescente, ensinar a adiá-las é missão de todos nós educadores. Portanto, nesse Natal, chame Noel para uma conversa sobre marshmallow, seus filhos, netos e bisnetos agradecerão!

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