Atitude

cerebromao.jpg
No início do mês fui cortar o cabelo.

Aqui em São Pedro, a gente não vai aos salões de cabeleireiro, como nas cidades grandes. Nada disso.

É na casa da pessoa especialista no assunto. Para uns, pode dar a impressão de que é coisa pouco desenvolvida, atrasada, sei lá. Pra outros (e eu me incluo, lógico!) é sinal de tratamento VIP.

Claro: as pessoas abrem suas casas pra nos receber, cuidam da gente, oferecem café passado na hora e ainda nos dão oportunidade de crescer um “bocadinho”, como se fala por aqui.

É que, conversa vai, conversa, vem, sempre tem alguma coisa de muito profunda pra ficar dentro da gente. Nessa última vez que eu fui à Sandra, por exemplo, dei de cara com uma historinha que eu faço questão de contar a vocês. É que a Sandra tem um quadro, na entrada da sala, em que os amigos clientes colocam seus cartões de visitas, folhetos promocionais e outras coisas mais. Tem curso de informática, serviço de quiromancia a domicílio, promoção do açougue, etc e tal.

Em meio a tudo isso, eu li uma mensagem mais ou menos assim: chamava-se ATITUDE, o que me chamou pra ler. Uma moça, acometida por um câncer, vinha fazendo sua quimioterapia. Ao acordar, numa manhã qualquer, foi ao espelho e reparou que seus cabelos haviam caído. Restavam-lhe apenas três fios.

Ela não teve dúvida: “vou fazer uma trança”, disse ela em voz firme e decidida. E foi-se embora trabalhar. No dia seguinte, ao chegar diante do espelho, só viu dois fios de cabelo. “hoje vou repartir meu cabelo no meio”, disse ela em voz firme e decidida. E foi-se embora trabalhar.

Na outra manhã, somente um fio restara na cabeça: “vou fazer um belo rabo de cavalo”, disse ela em voz firme e decidida”. E foi-se embora trabalhar.

Só que no dia seguinte, ao se aproximar do espelho, não havia mais cabelo nenhum. E ela, com voz firme e decidida: “oba, hoje não preciso pentear o cabelo”. E foi-se embora trabalhar.

No dia em que eu li isso, além de uns três ou quatro centímetros maior, eu consegui, mesmo, ter uma definição de ATITUDE. Vou colocar essa história na minha apresentação do “Aprender Criança” em agosto, pensei.

É isso que nos falta na maior parte do tempo. Nós, educadores, precisamos ter algumas bandeiras pra hastear todos os dias. A bandeira da ATITUDE não pode deixar de tremular nunca, nem um diazinho sequer.

Ela é a voz firme e decidida de todas as coisas em que acreditamos.

É a força de encarar os desafios e, principalmente, as adversidades.

É a certeza de que as crianças que nos foram entregues para educar serão pessoas melhores do que nós.

E a certeza maior de que nenhuma dessas crianças ficará para trás.

Nenhuma.

Dr. Mauro de Almeida
Psicólogo e gestor em Responsabilidade Social Empresarial, é Diretor da OP3 Projetos Sociais.

Back to top