O Processo de Aprendizagem do Simbolismo à Escrita

 “Nada podes ensinar a um homem, podes somente ajudá-lo a descobrir coisas dentro de si mesmo”. Galileu

O cérebro é um desafio, por mais que se estude cada ponto, cada célula ou neurotransmissor em correspondência à função que exerce no corpo, ainda assim, as emoções são indomáveis, as escolhas são inúmeras, e ainda há muito que aprender, para facilitar a adaptação à vida.

E o aprendizado é uma mudança de comportamento que acontece com a aquisição de conhecimento e seu registro de conhecimento e na memória, estrutura que engloba emoções, acelera coração, turbina nossa respiração e nos leva a registrar todas fases da vida em registros específicos e de associação.

Quando nasce uma criança, nascem novas possibilidades de aprendizado, e conforme ela cresce, acontece um desenvolvimento com a mediação das pessoas e da sua cultura, ela atribuirá significado ao mundo, e sua ação passa a ser regida pela idéia e imaginação, e as próprias regras caminham de uma relação inicial da percepção e ação para: significado e imaginação.

Então, estamos diante do simbolismo e imaginação da criança, que nas etapas de maturação cerebral, terão seu significado e significante, transformando signos, e estes se relacionando com aprendizado pelas brincadeiras, jogos, brinquedos e relação do outro (adulto ou criança), e vivenciaremos o aprendizado simbólico adaptado às múltiplas habilidades funcionais do córtex cerebral.

Através das brincadeiras e jogos, percebemos um conteúdo de inteligência e não um determinante na estrutura mental; é a ação de jogar que permite desenvolvimento, então, ligados à compreensão, a brincadeira e, ou jogos segue-se uma ordem de seqüências maturacional, que permite-nos observar as estruturas: jogos de exercícios, jogos simbólicos e jogos de regras, e todos nos levam as associações futuras do som-letra-escrita e conseqüentemente na magia de ler-escrever.

Podemos então, relacionar Linguagem: Conteúdo-Forma-Criatividade-Uso, como principio básico na criança como “despertar a mente para o desconhecido e infinito mistério simbólico” convocando cognição, símbolo, signo, a formar as estruturas da fala, pensamento, criatividade e o propósito social através da articulação adequada (boa performance na fluência) com requisitos para habilidades distribuídas nos Hemisfério Esquerdo e Hemisfério Direito. Compreensão e execução com os estudos e pesquisas nas áreas emocionais do córtex cerebral, podemos associar as múltiplas inteligências de Howard Gardner, com as etapas de maturação de Piaget, com o pensamento de desenvolvimento e aprendizado pelas experiências de Vygotsky, e acomodar todas essas teorias, no funcionamento real do córtex.

Com a linguagem, sob vários aspectos: verbal, gestual, mímica, expressiva, gráfica e desta maneira a compreensão do simbólico à escrita, estende-se do orgânico ao sociocultural: aprendemos “o que vivemos e somos oportunizados a viver”.

Os estímulos sensoriais, passados pela família, sociedade, escola, e nossa própria experimentação, é que nos levará a compreender o significado e dimensão da cognição humana.

A exploração atual das Neurociências aborda várias possibilidades em um só ponto: aprendizado efetivo e, de como queremos ou imaginamos para os nossos filhos e novas gerações.

Aprender é verbo que se conjuga no plural: pessoais, atos, possibilidades, diversidades, tolerância, ousadia e respeito.

Se houver estrada para o conhecimento e aprendizado, esta deverá seguir pela oportunidade e, assim todos aprenderão sob os mesmos signos e símbolos que acontecerão em todas as fases de nossas vidas.

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.
Cora Coralina

Fga. Dra. Lana Cristina de Paula Bianchi
Fonoaudióloga Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), Responsável pela Fonoaudiologia na equipe multidisciplinar em Neurociências e Reabilitação das Doenças Neurológicas e Demências do Hospital de Base da FAMERP, Responsável pelo setor de Fonoaudiologia no Projeto “Gato de Botas” de São José do Rio Preto (SP), Presidente, Coordenadora e mentora do Projeto Ding-Down da FAMERP.

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