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Sem breque, não dirija

Sex, 05 de Dezembro de 2008 08:06 Dr. Marco A. Arruda
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NaoDirija.jpgComparando a um carro, é fácil prever que quando o breque cerebral não funciona as conseqüências podem ser trágicas. Os circuitos cerebrais que funcionam como breque do nosso comportamento estão no córtex pré-frontal, região localizada imediatamente atrás dos nossos olhos.

Por determinação genética ou lesão, essas células podem não funcionar adequadamente provocando um quadro neuropsiquiátrico denominado Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

No TDAH a força da genética é bem robusta, estudos mostram uma herdabilidade de 0,7 (imaginem que a característica humana de maior herdabilidade é estatura, perto de 1)! No entanto, fatores de agressão ao cérebro em formação dentro do útero materno podem também atuar. O uso de tabaco pela gestante aumenta a chance do feto desenvolver TDAH em dez vezes, álcool vinte vezes e cocaína perto de quarenta vezes.

A falta do “breque” vai provocar manifestações clínicas bem evidentes como a distração (déficit de atenção), a hiperatividade e a impulsividade, já presentes na criança, podendo persistir na adolescência e vida adulta. Sem freio o impacto é certo: 30% das crianças e adolescentes com TDAH repetem ao menos um ano escolar, 45% são expulsos da escola e 35% abandonam os estudos. Crianças com TDAH apresentam um risco três vezes maior de acidentes domésticos e duas vezes maior de traumas, suturas e hospitalizações. Jovens com TDAH apresentam maior risco de gravidez antes dos 18 anos de idade, doenças sexualmente transmissíveis, acidentes automobilísticos e uso-abuso-dependência de drogas.

Em 2004, um amplo estudo realizado nos EUA por Joseph Biederman e seus colaboradores da Harvard, estimou perdas do orçamento familiar da ordem de 77 bilhões de dólares anuais em decorrência do TDAH. Estas perdas referem-se a vários fatores: adultos portadores de TDAH apresentam menor escolaridade, ganham salários inferiores e menos freqüentemente conseguem emprego em período integral do que adultos sem o transtorno.

Como vêem, as repercussões do TDAH ultrapassam os muros da escola e os limites seguros do lar, provocando impactos ao portador, que determinarão ao longo da vida menores oportunidades de realização e cidadania.

Considerando a alta prevalência deste transtorno (cerca de 5% da população infantil mundial), suas sérias repercussões e a existência de tratamento seguro e eficaz, o TDAH definitivamente deve ser encarado como um grave problema de Saúde Pública que merece a atenção da sociedade e de seus dirigentes. Portanto, sem breque, não dirija!

Marco A. Arruda, Neurologista da Infância e Adolescência, Doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo e autor do livro “Levados da Breca”.

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Comentários (3)Add Comment
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escrito por marlene.busanello, 24 dezembro 2008
Muito obrigada pela atenao, Dr. Arruda. Fico mais aliviada.
Abrao.
Marlene.
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Medicação é essencial?
escrito por ARRUDA, 16 dezembro 2008
Marlene,
A medicação é essencial nos casos de maior impacto do transtorno sobre a vida e desenvolvimento da criança.
Sendo assim, me parece que sua filha esteja indo bem apenas com a terapia e os cuidados de todos.
Atenciosamente,
Marco A. Arruda, MD, PhD
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Medicação é essencial?
escrito por marlene.busanello, 16 dezembro 2008
Dr. Arruda, parabéns pelo excelente artigo! Participo da comunidade a algum tempo e tenho uma filha de 10a com TDA sem H. Gostaria de saber se a medicação é essencial para esse transtorno. Sei que esse transtorno apresenta níveis que vão do mais baixo ao mais alto. Acredito que minha filha tenha um nível relativamente baixo do transtorno e, portanto, ainda não consigo aceitar a idéia de medicá-la. Ela faz acompanhamento com psicólogo (psicanalista) e a escola é muito "parceira". Estamos conseguindo levar mais ou menos bem. Sinto muita dificuldade na hora de ajudá-la com o tema de casa, por vezes chego a perder a paciência e também fico sensibilizada quando vejo a ansiedade dela quando dou alguma instrução que ela precisa lembrar e ela teme esquecer. O Sr. acha que seria o caso de entrar com a medicação?
Desde já, obrigada.
Marlene Busanello.

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Última atualização em Sex, 05 de Dezembro de 2008 15:19

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