“Inteligência é a capacidade do indivíduo de agir com propósito, pensar racionalmente e lidar efetivamente com o seu meio ambiente”.
David Wechsler, 1944
Ao longo do tempo, evidencia-se que várias foram as definições da inteligência. Dentre elas, Anastasi, (1977), refere que a inteligência de um indivíduo em qualquer momento é o produto final de uma seqüência vasta e complexa de interações entre fatores hereditários e ambientais. De acordo com Aldenkamp, (2004), a inteligência é um complexo processo que envolve inúmeras habilidades tais como a capacidade de comunicação, de utilização da atenção, de memorização e da capacidade de solucionar problemas.
A despeito das várias definições para a inteligência, uma das abordagens que foi bastante importante para a compreensão deste conceito foi a baseada em testes psicométricos, ou seja, aquela que buscava fornecer uma medida para a inteligência.
Em 1905, o psicólogo francês, Alfred Binet criou o primeiro teste de inteligência, a Escala de Inteligência Binet-Simon. Seu primeiro objetivo foi o de criar um instrumento que possibilitasse a identificação do perfil cognitivo dos alunos que necessitavam de ajuda especial. Binet sugeria que quando o aluno apresentasse resultados prejudicados na escala de inteligência isso poderia evidenciar uma necessidade de maior intervenção dos professores para facilitar a aprendizagem desse mesmo aluno.
Alfred Binet já respondia “Eu nomeio inteligência aquilo que mede os meus testes”, contudo somente em 1912, a abreviatura de quociente de inteligência, ou QI, foi cunhada pelo alemão William Stern. O QI ou quociente intelectual designa o resultado de um teste psicométrico de medida de eficiência mental. QI é descrito como quociente porque inicialmente foi representando com a relação entre a idade mental e a idade cronológica. Um refinamento da escala Binet-Simon, foi publicado em 1916 por Lewis M. Terman da Universidade de Stanford, que incorporou a idéia de Stern, e utilizou a medida de QI no teste, sendo esse teste conhecido como Stanford-Binet Intelligence Scale, sendo a base para os testes modernos de inteligência, chamados popularmente de testes de QI.
Em 1939, Wechsler desenvolveu a primeira Escala de Inteligência Wechsler para adultos (WAIS) e em 1949 a primeira Escala de Inteligência Wechsler para crianças (WISC). Atualmente, estas escalas já estão na quarta edição original americana e na terceira edição da adaptação brasileira e são as principais referências e as mais utilizadas medidas inteligência. A escala é dividida em testes verbais e testes visuais e subdivida em subtestes, que se constituem em amostras representativas no amplo leque de capacidades cognitivas que refletem características multifacetadas da capacidade intelectual (Figueiredo, 2002).
A maioria dos testes de QI envolve uma série de problemas que devem ser resolvidos em conjunto um espaço de tempo, sob a supervisão de um psicólogo. Os escores obtidos pelos testes de QI permitem estabelecer um padrão de comparação intra e inter individual, identificarem o nível global de aptidão cognitiva e é essencial para fornecer uma linha de base para interpretar as outras funções cognitivas.
Atualmente, considera-se a inteligência como sendo resultante de inúmeras variáveis que podem estar intrinsecamente ligadas, tais como os fatores genéticos, os psicossociais, os individuais e os ambientais (Roazzi, 2002). Em um estudo desenvolvido com gêmeos com o intuito de investigar a influência do papel dos genes e do ambiente na determinação do QI identificou que gêmeos que são criados em ambientes distintos, teriam diferenças importantes na sua eficiência intelectual, principalmente afetada pelo seu ambiente.
Evidencia-se que, em média, a pontuação do QI é estável ao longo da vida de uma pessoa, mas alguns indivíduos podem sofrer grandes mudanças. Por exemplo a pontuação pode ser afetada pela presença de dificuldade de aprendizagem (Shaywitz, 1995).
Embora a avaliação das capacidades intelectuais das escalas de inteligência sejam importantes para o auxílio do diagnóstico das dificuldades ou distúrbios de aprendizagem e para o fornecimento de um padrão cognitivo de base, identifica-se que há inúmeros outros fatores, de natureza não intelectiva, tais como traços de personalidade, motivação, persistência ou impulsividade que influenciam nas capacidades de cada pessoa (Figueiredo, 2002). A identificação dos diversos fatores que podem estar influenciando nas habilidades cognitivas permite que se estabeleça um plano de reabilitação adequado conforme as necessidades de cada indivíduo.
Foto: Teste de Inteligência Stanford-Binet, 1937. www.makingthemodernworld.org.uk
Referências Bibliográficas

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