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| De bem com sua memória |
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Na página anterior procurei te convencer de que o cérebro não consegue assoviar e chupar cana ao mesmo tempo, pelo menos quando o assunto é memória. Conseguimos realizar multitarefas em vários outros sistemas cerebrais, mas atenção e memória são vias de mão única que requerem uma informação de cada vez.
Outra dica para “turbinar” a sua memória é saber fazer pausas. E pausa não é algo fácil de fazer, requer uma boa dose de autocontrole e treinamento.
Quando penso em pausa me lembro de gansos e patê de foie gras (sig. fígado gordo), iguaria da culinária francesa que ilustra bem como nosso cérebro processa a informação.
Essas pobres aves são superalimentadas para desenvolverem esteatose, que é a deposição excessiva de gordura no fígado. Para que o produtor consiga o feito, utiliza anéis de metal que são encaixados no bico do animal após a superalimentação, impedindo que regurgite o conteúdo forçosamente ingerido.
Quando nosso cérebro é exposto a um grande volume de informação e sem direito a pausas, ele sucumbe, e o excesso é inevitavelmente desperdiçado. Ao contrário dos gansos, o cérebro não pode ser superalimentado, ainda que seja a vontade do seu proprietário.
Vejo esse excesso de informação em todos os lugares: outdoors (e a gente ainda passa correndo!), comerciais de TV e rádio, anúncios na mídia escrita, palestras e, especialmente, nos bate papos.
É obvio, mas é preciso insistir, tente recordar a seguinte sequência numérica: 3,5,8,23,48 e 65. Repita por favor.
Agora tente recordar essa outra, dando uma pausa de 5 segundos entre um número e outro: 4 6 9 11 25 79. Pronto?
Agora tente repetir.
Tenho certeza que seu desempenho foi melhor com as pausas, tanto mentais quanto visuais que, intencionalmente, usamos aqui.
Então o que fazer?
Se você é quem fornece a informação, forneça-a mastigada, selecione o que você acha relevante para o seu ouvinte ou leitor, ofereça pausas, escute, e na primeira oportunidade repita para ter a certeza de que foi bem entendido.
Se você é quem recebe a informação, selecione o que realmente é importante do que não é, despreze as informações irrelevantes, afinal elas podem ocupar desnecessariamente um lugar precioso em sua memória. Faça pausas e procure dialogar internamente, isso ajuda muito. Ao final de cada sessão pare e repita o que você decidiu guardar, mas um conselho importante, faça isso silenciosamente ou alguém pode achar que você, afinal, enlouqueceu!
Na página seguinte tem mais, repita para lembrar, lembre para repetir.
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Baixe aqui a última apresentção do Dr. Arruda sobre TDAH que aconteceu no dia 04 de junho de 2011 na Universidade São Carlos - São Paulo
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