Cá entre nós

Ter, 16 de Março de 2010 16:18 Mauro de Almeida
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Dei uma entrevista para um jornal local.
A pauta foi motivada por um e-mail de uma leitora que gostaria de saber como fazer para conviver com seus problemas de aparência, uma vez que estava muito longe do padrão de beleza dos nossos tempos.
Antes de abrir a boca, pensei um pouco. (recomendo esse pequeno princípio a todos nós)
E, mesmo assim, lá ia eu falar besteira.
Mas, minha santa esposa, minha professora de todos os momentos (recomendo a todos que tenham uma professora de plantão) me barrou na porta.
Melhor explicar, certo?

Pois é.
Eu já ia pegar o problema apresentado pela moça e conduzir para a estrada da inclusão. Coisa da profissão e do hábito de lutar por essa coisa difícil.
Mas a Jack foi rápida em me alertar que a leitora não gostaria de ser tratada como incluída, uma vez que o problema não está na exclusão, mas no espelho.
Dei razão e mudei a tática. Sentei a lenha no tal padrão de beleza (que poderia ser chamado “patrão de beleza”) e deixei por conta do grande Augusto Cury a argumentação, principalmente quando ele diz que há 50 milhões de pessoas com Anorexia por conta dessa estupidez de se tornar um esqueleto ambulante e outras coisinhas mais. Leiam, por favor, “O Vendedor de Sonhos”. Imperdível para todo mundo.
Tudo bem.
A entrevista correu solta e consegui fechar com uma sacada legal: valorize o que você tem de bonito no seu corpo, ao invés de se preocupar com as imperfeições. Esse é o segredo de nove entre dez estrelas do cinema (quem tem mais de 35 vai lembrar da propaganda do sabonete Lux, com certeza)
Mas... cá entre nós e sem que a moça que gerou a pauta nos escute: mesmo sem tocar no assunto, tudo isso é pura inclusão, é ou não é?
Falando nisso, vi no Jornal Nacional que a ONU está desenvolvendo no Brasil uma pesquisa sobre VALORES.
Vibrei!
Segundo a matéria, vem ai um novo índice de avaliação de uma nação: o IVH (Índice de Valor Humano) que vai correr em paralelo com o já conhecido IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Vai mensurar e entender o quanto e como uma população desempenha seu papel social de cooperação, caridade, combate ao desperdício, compreensão, valorização, tolerância, etc, etc , etc e inclusão, com certeza.
É isso.
E deixem as gordinhas em paz porque elas são muuuuuito mais do que pneus e celulites. E deixem os fraquinhos em paz porque eles são muuuuuito mais do que peles e ossos.
E deixem as que tem espinhas, os de nariz grande, as de cabelo ruim e os de cabeça chata, as de orelha de abano e os branquelos.
Chega disso. IVH neles, gente!
Abraços,
Mauro
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