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Beijo, abraço e aperto de mão

Qua, 24 de Fevereiro de 2010 21:58 Mauro de Almeida
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CriancasBeijandoAs brincadeiras infantis revelam muito do que os adultos pensam.
Não sei se pela necessidade de reminiscências ou se por uma questão de cuidado com os filhotes da gente.
Difícil saber. Talvez meu filho número 1 (dos 4) possa avaliar a questão de uma forma bem melhor, historiador de mão cheia que é.
Por enquanto, fica o direito e o suspense da dúvida.
Lembro-me de que, lá pelos meus treze ou catorze, a gente queria brincar a toda hora de um tal de “beijo, abraço, aperto de mão.”
Dava um frio danado de forte na barriga só de pensar o que as meninas iriam escolher pra dar de presente pra nós, garotos.
E, entre nós, os “garanhões”, havia até um código.

Acho que vocês merecem uma explicação mais detalhada.
Aos maiores de 40, peço que confiram minhas informações.
O jogo consistia, lógico, em dar um beijo, um abraço ou um aperto de mão.
A mecânica era simples.
O sorteado ficava de costas com alguém cuidando para que ele não visse as “candidatas” e ia apontando: “é essa?”, “é essa?”, “é essa?”, até que o jogador dissesse “sim, é essa!”
Ai, o Sílvio Santos mirim perguntava: “você quer beijo, abraço ou aperto de mão?” E o camarada dizia qual era a sua opção.
Feito isso, a pessoa escolhida tinha que dar o tal do presente ao jogador. Tudo bem? Fui mais ou menos claro?
Dêem, por favor, um desconto para o tempo. Lá se vão quatro décadas de histórias.
Voltando. Só que havia um problema: se você, menino, caísse com outro menino, teria que cumprir a tarefa. E dar beijo em homem, pelo menos naquela época, não era a coisa mais agradável do mundo, não.
Sem preconceitos. Apenas uma questão de opção.
Além disso, ainda havia o risco de você cair com a feia da turma. Dar um beijo nela era motivo de gozação pra semana inteira.
Só que ninguém tirava sarro da sua cara na frente da tal feia. Isso é bulling e eu acho que a gente ainda não estava preparado prum tipo de grossura desse tamanho.
Normalmente, quando o sujeito que tomava conta do jogador era um amigão, rolava um discreto sinal, cutucão, estalar de dedos, avisando quando era a vez da mais bonita de todas, da menina dos sonhos de todos os marmanjinhos de então.
Ai, era só correr pro abraço... ou pro beijo, o que era muito melhor!! Diga-se de passagem, que o beijo era no rosto, mas isso era o máximo dos máximos, principalmente quando uma menina escolhia a gente e ppedia um beijo.
Nossa! Era tudo de bom.

Recentemente, fiquei sabendo de uma nova brincadeira infanto-juvenil. Você compra um tanto de pulseiras coloridas e anda com aquilo no braço.
Se alguém (qualquer alguém) chegar em você e arrancar um desses aros, você terá que cumprir a tarefa indicada pela cor do brinquedinho.
Agora, pasmem: as tarefas mais fraquinhas, mandam o ex-dono da pulseira te dar um beijo de língua, ou um amasso completo.
Acho que, por ai, vocês conseguem imaginar como são as fortes, não é? Ou, talvez, nem consigam prever que há extremos de sexo oral, anal, etc e tal.
E toda a galera anda com essas porcarias nos braços.
Alguns (a maioria, espero) obviamente sem entender o que significa tudo isso e apenas brincando de moda.
Mas há quem saiba que isso nasceu na Inglaterra e se tornou mania na Europa.
Ai, além de alerta-los, obviamente, para a coisa, eu lhes pergunto: será que as brincadeiras infantis ainda revelam muito do que os adultos pensam?
Será pela necessidade de arrebentar com tudo o que era bom ou será por uma questão de total falta de cuidado com os filhotes da gente?
E essa, nem meu filho que hoje faz 30 anos vai poder responder.

Um abraço, um beijo e um aperto de mão a vocês.

Mauro de Almeida
Psicólogo e Educador

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Comentários (8)Add Comment
Fátima Regina de Queiróz Porto
Nossa!!!
escrito por Fátima Regina de Queiróz Porto, 11 abril 2010
Gente, que loucura! eu estou por fora mesmo, não sabia disso. Nem quando era criança, e tenho 53 anos, me lembro dessa brincadeira. Outro dia ouvi pela metade algo relacionado a uma pulseira preta no jornal, mas não prestei atenção e não percebi a questão. Eu fico chocada, mas sei que essa nao é melhor postura nesse momento, diante dessa realidade é preciso estar atento na educação.Que bom poder estar aqui.
Thelma Torrecilha
...
escrito por Thelma Torrecilha, 08 abril 2010
Quando vi o título, imaginei alguma relação com as porcarias das pulseiras, que, recentemente, provocaram estupro e até morte de meninas.
Quando fui lendo o artigo, fiquei esperando para ver se falava do "toque" que os amigos davam para que a gente não fizesse a escolha errada. E logo, chegou esse ponto! Era realmente assim... Só faltou falar que os mais engraçadinhos davam o "toque" errado para deixar a brincadeira mais divertida. Quando o jogador virava, todo animado, dava de cara com um problemão.
Ah, me lembro agora que no meu tempo (tenho 46) era beijo, abraço, aperto de mão e passeio na pista. Passeio na pista? Que bobeira, esse ninguém pedia...
joaquina moreira botana
Beijo,abraço e aperto de mão
escrito por joaquina moreira botana, 09 março 2010
Que saudades das brincadeiras ingênuas ! Mas apesar de tudo ,embora não pareça,os nossos adolescentes ainda são muito "ingênuos " , muitos deles não sabem o significado das pulseiras e quando sabem param de usá-las .
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Beijo, abraço e aperto de mão
escrito por Ana Flávia P Cabral, 07 março 2010
Muito boa a matéria, acredito que essa falta de inocência se dê devido as mídias, crianças que os deixam assistir novelas, filmes inadequados, séries impróprias, mostram muito essa facilidade do contato com o outro, onde todos se beijam, se amassam, ora com um ora com outro.
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Beijo,abraço e aperto de mão
escrito por Ana Neri Santos, 01 março 2010
O artigo me fez lembrar da inocência das brincadeiras do meu tempo de criança, hoje, infelizmente, as brincadeiras já não são mais tão "leves" e inocentes.Tenho um filho de 2 anos de idade e outro dia me vi diante de uma situação bastante "moderna" quando o pequeno se dirigiu a mim para beijar me na boca e eu prontamente fui explicar que "filho não beija em boca de mãe" e tive, para minha surpresa, a seguinte resposta :" mas vc sabia que homi beji em boqui de mulhé, sabia?" Ainda não sabe falar direito, mas já sabe que as brincadeiras não são mais tão inocentes... Às vezes me sinto despreparada, pois o " choque do futuro" ainda é muito impactante pra mim, confesso que fico atordoada com tanta modernidade nas brincadeiras ditas infantis.
valdenize de fatima boeira
Beijo, abraço e aperto de mão
escrito por valdenize de fatima boeira, 28 fevereiro 2010
Só espero que nossas crianças não cresçam muito rápido e não aproveitem as gostosuras da infância...
Um abraço
valdenize de fatima boeira
Beijo, abraço e aperto de mão
escrito por valdenize de fatima boeira, 28 fevereiro 2010
Gostei muito da matéria, isso realmente é muito preocupante, só espero que as crianças não percam a inocência, não cresçam muito rápido, e deixem de lado as gostosuras da infância.
Um abraço amigo
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Beijo, abraço e aperto de mão
escrito por Sandra Cristina Rossato , 27 fevereiro 2010
Adorei a matéria. Trouxe-me a inocente infância que vivemos e que muitos nem conheceram. Brincadeiras inocentes mas que muito nos divertíamos.
Espero sinceramente que as crianças de hoje estejam ligadas na "moda" da pulseirinha e não na sua representatividade.


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Última atualização em Sáb, 27 de Fevereiro de 2010 14:46

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