Novos rumos para o diagnóstico dos Transtornos Mentais
O Manual de Estatística e Diagnóstico dos Transtornos Mentais (DSM), atualmente em sua 4ª. revisão, é considerado fonte de referência autorizada em critérios para o diagnóstico dos transtornos mentais. No entanto, quando exatamente uma particular forma de comportamento ou atitude pode ser qualificada como transtorno mental? Essas definições podem provocar numerosas e profundas consequências não somente para a Medicina, mas também em numerosas outras áreas, Social, Saúde, Política, Cultura, Justiça e Trabalho. Após 16 anos o DSM está sendo revisado e um esboço foi publicado na semana passada trazendo novidades. O quadro denominado por hoarding (pessoas que acumulam coisas e as escondem para uso futuro) foi incluído, por outro lado, os critérios diagnósticos para o “estado de dependência da internet” ainda não foram bem estabelecidos.
Especialistas debatem se devem ou não incluir acessos de raiva, hoarding (mania de acumulação) ou mesmo dependência da internet como transtornos mentais, e propõem várias mudanças nos critérios diagnósticos até aqui utilizados. Essa proposta de revisão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM), a bíblia dos clínicos e pesquisadores em Saúde Mental, pode provocar profundas mudanças no sistema de assistência à Saúde mental. Pesquisadores, clínicos e seguradoras se baseiam no DSM para a definição de diagnósticos, tratamento e cobertura de apólices. Para a indústria farmacêutica, mudanças neste setor poderiam ampliar ou restringir as indicações de medicamentos. Para os pacientes, a inclusão de novos transtornos serviria para legitimar sua condição, como também viabilizar novos tipos de tratamento.
O esboço recentemente anunciado, encontra-se acessível à opinião pública até o mês de Abril. Pesquisas de campo estão sendo conduzidas para avaliar o alcance da sua eficácia e sua utilidade para os clínicos, psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais. Estima-se que a versão final só será publicada em 2013.
Um novo diagnóstico é o hoarding, ou mania de acumular coisas, levando a um prejuízo significativo para a vida da pessoa, seja por provocar estresse, seja por incapacitá-la em suas atividades sociais, familiares ou ocupacionais. A inclusão desse novo transtorno no DSM pretende atrair a atenção do público a esse respeito, estimulando o seu diagnóstico tratamento.
Outro diagnóstico a ser incluído no manual é o Transtorno do Decontrole Emocional. A revisão propõe o fim do uso do termo “Síndrome de Asperger”, condição que ficaria incluída no grupo do Espectro Autista.
A proposta revisão organiza os Transtornos por Uso de Substâncias (TUS) e elimina subcategorias de Esquizofrenia.
Algumas outras condições propostas por especialistas internacionais continuam sendo analisadas. Elas incluem a Síndrome da Apatia (uma grave falta de motivação), o Transtorno Afetivo Transitório e a Dependência da Internet.
Definir exatamente o que constitui um transtorno mental é motivo de acalorados debates há longa data, com passagens marcantes pelo movimento anti-Psiquiatria de Michel Foucault, Franco Basaglia e Thomas Szasz. No entanto, um volume enorme de estudos validam o sistema classificatório e diagnóstico do DSM.
“O maior desafio é a heterogeneidade de quadros dentro de uma única categoria diagnóstica” diz John Kristal, chefe de pesquisas do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Yale.
Uma nova categoria diagnóstica, a Depressão Ansiosa Mista, foi proposta porque muitos pacientes apresentam sintomas significativos tanto de depressão quanto de ansiedade. Pelos critérios atuais, esses pacientes são diagnosticados como portadores dos dois transtornos.
A categoria que se refere ao abuso e dependência de substâncias foi ampliada para incluir condições de “não substâncias” como dependência de jogos de azar.
A condição de dependência foi mais estritamente definida e se limitará às pessoas que não medem esforços para obtenção de substâncias ou adotam comportamentos dos quais necessita de forma extrema.
No que se refere ao Autismo e à Síndrome de Asperger, não existem evidências científicas suficientes que justifiquem a separação dessas condições. O projeto de revisão propõe que o espectro autista seja visto como uma continuidade de características comportamentais ao invés de diagnósticos distintos. Por outro lado, retirar a Síndrome de Asperger do DSM certamente provocará protestos por parte de indivíduos e grupos ativistas que formaram uma identidade e comunidade em torno do diagnóstico.
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Baixe aqui a última apresentção do Dr. Arruda sobre TDAH que aconteceu no dia 04 de junho de 2011 na Universidade São Carlos - São Paulo
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